segunda-feira, 8 de abril de 2024

XV. CONSELHOS PARA NOVOS ESCRITORES

 

À medida que eu fui lendo a vida de Ernest por quem o conheceu, fui pesquisando no Google as fotos referentes àqueles momentos de sua vida ou às pessoas mencionadas, a ponto de, com o tempo, eu ir me familiarizando com elas de tal maneira que era como se eu, de fato, as tivesse conhecido pessoalmente ou estado o tempo todo ao lado de meu amigo. 

Uma foto em particular mexeu comigo mais do que qualquer outra, na primeira vez em que a vi: Ernest com seu filho John, o Bumby. Emocionei-me como se estivesse vendo pela primeira vez um filho meu. Ernest já tinha um rosto mais maduro do que quando o conheci, mas o sorriso que eu via era o mesmo. Comecei a chorar de verdade, mas de alegria pela vida de Ernest e daquele lindo menino que nunca teria nascido se o passado não tivesse sido mudado. 

Lendo o livro de Sylvia Beach, mais uma vez recorri à internet para conhecer mais a respeito da escrita de Ernest. Encontrei um texto escrito por P. V. Cantarelli, que contém conselhos de Ernest para novos escritores. 

 

Ernest Hemingway foi um dos escritores mais influentes do século XX, tendo escrito “O Velho E O Mar”, “Por Quem Os Sinos Dobram” e “Adeus Às Armas”. Sua escrita é direta, simples – o que não quer dizer fácil -, sem palavras complicadas, ao menos em relação a rivais da época, a exemplo de Faulkner. Sobre a relação dos dois, veja por si dois dos maiores insultos literários da história, durante uma troca de gentileza entre autores: 

 

“He has never been known to use a word that might send a reader to the dictionary.” – William Faulkner   

[“Ele [Hemingway] nunca foi conhecido por usar uma palavra que pudesse manda r um leitor ao dicionário.”] 

 

“Poor Faulkner. Does he really think big emotions come from big words?” – Ernest Hemingway 

[“Pobre Faulkner. Ele realmente pensa que grandes emoções vêm de grandes palavras?”] 

 

Numa discussão entre gênios, seria melhor ficar de fora Mas nesta fico com Hemingway. As dicas abaixo estão no livro “Tempo de Viver”, publicado no Brasil em 1969 pela editora Civilização Brasileira com tradução de Álvaro Cabral: 

 

1) Escrever bem é escrever sinceramente. Se um homem está escrevendo uma estória, será verdadeiro e sincero em proporção à soma de conhecimentos da vida que ele possui (…) Se ele não souber como muitas pessoas agem e pensam, como se processam os seus pensamentos e ações, a sua boa estrela poderá poupá-lo por algum tempo ou talvez possa escrever estórias da carochinha. Mas se continuar escrevendo sobre aquilo que não conhece, acabará por descobrir que não passa de uma fraude, de uma mistificação. 

 

2) (…) Se escrever a lápis, isso dá-lhe a possibilidade de ver o seu trabalho três vezes, para certificar-se de que está realmente comunicando ao leitor aquilo que você lhe quer dar. Primeiro, quando lê o que escreveu; depois, quando o original é datilografado, tem nova oportunidade para aperfeiçoá-lo e, finalmente, na prova tipográfica. 

 

3) O melhor é parar sempre quando o negócio está saindo bem e você sabe o que irá acontecer a seguir. Se você fizer isso todos os dias, quando está escrevendo um romance, nunca ficará engasgado num beco sem saída. (…) Desta maneira, o seu subconsciente estará trabalhando ativamente em torno do assunto o tempo todo. 

 

4) É inútil escrever qualquer coisa que já tenha sido escrita antes, a menos que você possa superá-la. O que um escritor tem a fazer, no nosso tempo, é escrever o que não foi escrito antes ou bater os escritores mortos naquilo que fizeram. A única maneira que ele tem de saber se vai andando bem é competir com os mortos. A maioria dos escritores vivos não existe. (…) É como um corredor de milha fazendo o percurso contra-relógio em vez de tentar, simplesmente, bater quem estiver correndo na pista com ele. Se não correr contra o tempo, nunca saberá o que é capaz de atingir. 

 

5) Observe o que acontece hoje. Se encontrarmos um peixe, observe exatamente o que cada um faz. Se sentir um súbito alvoroço, uma excitação peculiar, quando vir o peixe saltar fora da água, reconstrua todas as suas recordações até perceber exatamente qual foi a ação que provocou em você aquela emoção. (…) 

 

6) Depois meta-se na cabeça de outra pessoa, para variar. Se eu berrar com você, procure imaginar tanto o que é que eu estou pensando como o que você sentiu quando eu berrei. (…) 

 

7) Quando as pessoas falam você deve escutá-las completamente. Não fique pensando no que vai responder, no que deve dizer a seguir. A maioria das pessoas não ouve. Você deve estar capacitado para entrar numa sala e, quando sair, saber tudo o que ali viu e não só isso. Se essa sala lhe despertou algum sentimento, deverá saber exatamente o que foi que lhe deu esse sentimento. (…) 

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BIBLIOGRAFIA

  BIBLIOGRAFIA   (por ordem de citação)     Hemingway, Ernest.  As Cartas de Ernest H emingway: volume I,           1907-1922 / editado por ...