No início de agosto, encontro nas cartas Ernest refletindo com Bill Horne sobre a vida, após o fim do relacionamento romântico deste. Ele diz que há algo errado com eles – são idealistas. E isso lhes traz um monte de problemas e por isso se machucam. Mas eles são assim e não podem mudar isso. Seus ideais passaram por uma tempestade e alguns deles morreram e tudo parecia devastado. Mas passada a destruição, ele continua a fazer as mesmas coisas.
Ernest não pode ser o mesmo depois de viver esse tão maravilhoso Amor das Mulheres. Para ele, há algumas coisas que, quando são destruídas, morrem para sempre. Talvez eles possam se apaixonar por outra mulher, mas já não podem mais oferecer a elas as mesmas coisas, não quando pensam como eles pensam.
Se Bill quiser manter seus ideais vivos − escreve Ernest − e se libertar dessa busca desenfreada por dinheiro, deve falar com ele. Há tanta coisa nesse mundo que ainda não viram, e além disso o tempo deles aqui é tão curto.
Estando em viagem, subindo o rio Missouri, Ernest escreve ao pai contando sua viagem e sobre o que tem escrito. Trabalhou em um novo começo para “Woppian Way” e deve estar tudo no ponto de começar a narrar as viagens assim que ele se fixar em Petoskey. Essa história, também intitulada “The Passing of Pickles McCarty”, não foi publicada. Passa-se na Itália durante a Primeira Guerra Mundial. O herói larga uma promissora carreira como boxeador para se juntar a um batalhão arditi.
11 de novembro de 1919. Escreve à mãe no dia em que se comemora o armistício. Ernest rezou por todas as pessoas que não sobreviveram para ver o fim da guerra. Pareceu a coisa certa a fazer. Pobres caras – ele imagina o que eles pensam dos que sobreviveram, que fazem gato e sapato da vitória que eles venceram. Deve ser amargo para eles ouvirem congressistas falando sobre a “próxima guerra”, quando eles pensavam que estavam morrendo para acabar com as guerras. O que ela acha que os 500 mil bons e velhos carcamanos que morreram pensariam do Wilson roubando deles a causa pela qual lutaram?
Em dezembro, escrevendo novamente à sua mãe, fala um pouco sobre o que está escrevendo. Uma história que ele está chamando provisoriamente de “The Mercenaries”, que é muito boa e acha que vai mandá-la para alguma revista. Mesmo que não esteja ganhando muita grana, está aprendendo muito. Escreveu uma antologia das pessoas da baía que acha que a mãe vai gostar e a está mandando para ela. “The Mercenaries” e “Crossroads: An Anthologie” só foram publicadas após a morte de Ernest.
Em novembro de 1919, os textos de Ernest enviados a revistas não são publicados. Em carta a William B. Smith Jr., diz que o editor do Saturday Evening Post devolveu “Wolevs and Doughnuts” e ele vai tentar publicar na revista Adventure.“Woppian” também é recusada por editores de revista e não é publicada. Não brota nenhuma escrevinhação nova, principalmente por falta de ânimo e restrições de grana. Se Ernest conseguisse vender alguma coisa, a escrevinhação viria rápida como um tiro.
À sua irmã Ursula, em meados de dezembro de 1919, Ernest escreve ao final da carta que acha de verdade que será um escritor dos bons algum dia. Uma vez ou outra escreve uma história tão boa que não consegue nem saber como pode ter sido escrita por ele. Diz que vai levar cópias para mostrar a ela. Tudo o que é bom demora, e demora para se tornar um escritor, mas por Deus, um dia ele será um.
Morando no Canadá, escreve a Grace, sua mãe, em abril de 1920, dizendo que está escrevendo para a revista semanal Sunday Worlde para o Star Weekly, revista semanal do jornal Toronto Star. Tem escrito umas coisas importantes sobre política. Foram identificados 172 trabalhos de Ernest na Star Weekly, entre 14 de fevereiro de 1920 até 13 de setembro de 1924 e no Daily Star, entre 4 de fevereiro de 1922 e 6 de outubro de 1923, mas não foram encontrados registros de textos que Ernest teria escrito para o Sunday World.
Aos pais, no dia 22 de abril de 1920, Ernest conta que, enquanto o tempo esteve bom, jogou muito tênis. Sua perna está ótima, e embora ela inche um pouco depois de um dia muito cheio, isso não o incomoda muito.
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